Até breve, Mônica!

* Por Patricia Boueri



As notícias no tempo da pandemia têm sempre um fio de susto. A nota do grupo de jornalistas que trouxe a morte da Mônica foi um soco no estômago. Chegou num grupo de WhatsApp diverso, onde não leria nada parecido. A questão é que todos conhecíamos Mônica, porque somos amigos e parceiros do Fernando Zaider, companheiro da Mônica. Estivemos juntos muitas vezes. O que nos uniu foi a Educação e a escola dos nossos filhos. Apresentações, greves, reuniões, mostras de trabalhos, concertos e passeios, nós estávamos lá! Mônica estava lá, presente! E sorríamos, era uma delícia!

Mônica e eu somos jornalistas, mas só dávamos pitaco uma no trabalho da outra, nunca atuamos profissionalmente; foi a educação que nos uniu. E a amizade, que nasceu desse triângulo. Na vida diária, agenda da semana - evento, parabéns, algum combinado ... - e lá estávamos, às vezes, enfrentando "nossas trigêmeas" desafiadoras: inteligentes, valentes, contentes! E ríamos, reivindicando que aquelas eram nossas qualidades, espelhadas, ou eram elas que nos ensinavam um modo de ser, feliz! É o tempo da felicidade. Não passou, nunca vai passar, porque em nossos corações de mães e pais e parceiros que criam crianças com amor esse é um tempo "pra sempre". Temos na memória a vida e a beleza de uma tarde de sol andando de bicicleta na orla. As danças da Festa Agostina! O brinde no clube! Viagens!

Encontrei Mônica pela última vez no dia 10 de março. Entrei no vagão lotado do Metrô e avancei para sair da porta. Parei em frente a ela. Uau! Maior calor. Ela me disse: "senta aqui que vou saltar". Papo rápido, ela saltou e me sentei. Depois só conversas pelo celular, sobre visitar nossas mães. Estávamos nas nossas quarentenas, receosas. Ela escrevendo, recolhida. Vivíssima!

Hoje participei da cerimônia budista do sétimo dia pela iluminação da Mônica. Encontrei-a lá, e Fernando, e sua mãe D. Darcy, sobrinhos, amigas e amigos. Lendo as mensagens em homenagem a Mônica no blog www.quarentenas.com descubro que há mais amigas, comuns, jornalistas, nessa "ciranda de passagem". De mãos dadas celebramos a vida e nos consolamos pela saudade que sentiremos da Mônica. E a gargalhada de-li-ci-o-sa que ela dava de presente, sempre. E como a voz ficava encorpada se o papo era sério. Tudo Mônica.

Aprendi hoje que a prática dela no budismo nos ilumina, a todos. Somos energia e estamos juntos, seguimos juntos, pra sempre. Assim acomodo essa súbita triste notícia, me esforçando para entender mais. Junto, tenho comigo uma forma de estar com as pessoas que amo e já partiram. Encontro alguns pássaros em condições muito especiais, quando tudo é especial. Agora quero ouvir um novo canto. Daí procuro o pássaro. Mônica, você aí!


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NOTA DA REDAÇÃO


Estaremos publicando aos domingos as diversas cartas que continuamos a receber sobre a saudosa colega Mônica Manfredini.


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* Patricia Boueri é jornalista.

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